Simpósio Europeu “A ciência dos gatos”

O Purina Institute organizou o primeiro Simpósio Europeu sobre Nutrição de Animais de Companhia, em Praga, nos passados dias 21 e 22 de outubro, subordinado ao tema “A ciência dos gatos”, que contou com a presença de 42 médicos veterinários de 17 países, fez uma abordagem nutricional que pode reduzir o impacto das alergias nos humanos

Neste simpósio em Praga, os convidados ficaram a saber mais sobre o impacto das alergias dos humanos a felinos, assim como formas inovadoras de como mitigar estas alergias.

Segundo Daniel Rodes, médico veterinário, responsável regional do Purina Institute na Europa, Médio Oriente e Norte de África “nos últimos 25 anos organizamos congressos mundiais sobre Nutrição de Animais de Companhia e agora quisemos proporcionar este momento único de partilha de conhecimento científico com a classe veterinária a nível regional. Este evento permitiu também uma melhor interação e partilha entre participantes e oradores convidado”, acrescentando que “com 125 anos de experiência na área da nutrição animal, na Purina acreditamos que a nutrição dos animais de companhia está na vanguarda do maneio de muitas patologias”.

O especialista em medicina felino do Reino Unido, Andrew Sparkes relembrou que as alergias das pessoas a gatos possuem um impacto enorme na relação entre humano e os felinos, assinalando que “além de muitos gatos serem entregues em gatis porque os seus tutores já não conseguem gerir o impacto debilitante da sua alergia, também muitos apaixonados por gatos optam por não adotar devido à sua alergia a felinos. Por fim, muitos tutores de gatos com alergias optam por viver com o seu gato, mas forçam-se a manter a distância e não disfrutam da interação com o seu gato.”

Enrico Heffler, imunologista humano e especialistas em alergias, italiano, acrescentou que a percentagem de pessoas com alergia a gatos varia de país para país, mas pode atingir os 30%. “O principal alérgeneo felino é o Fel d1, ao qual reagem 96% dos pacientes alérgicos a gatos.” O imunologista referiu que o maneio é multimodal, mas a remoção do gato do ambiente familiar é a medida mais recomendada, já que o alérgeneo Fel d 1 – que aparentemente não parece desempenhar um papel fisiológico importante para o gato – é fundamentalmente encontrado na saliva do gato e, subsequentemente, no seu pelo e nas partículas de pele, que se espalham no ambiente onde o gato vive.

Ebenezer Satyaraj, imunologista do núcleo de Investigação & Desenvolvimento da Purina explicou como a ligação tutor-gato pode ser afetada por múltiplos aspetos, incluindo doença do gato ou alergias dos humanos aos gatos.

Estudos atuais sugerem que a abordagem nutricional pode ajudar a reduzir o impacto desta alergia. Os cientistas Purina apresentaram uma abordagem inovadora, que pode transformar a forma como as pessoas podem gerir as alergias a gatos, reduzindo a exposição ao alérgeneo, mas não ao gato.

Este simpósio focou-se também na doença renal crónica felina (DRC) e as novidades sobre o seu maneio. A especialista em medicina interna de animais de companhia, Jessica Quimby, da Ohio State University, EUA, relembrou que os gatos com DRC podem sofrer de uma série de outras complicações, como desidratação, hipertensão e anemia. A avaliação individual, bem como optar por uma dieta renal apropriada são fundamentais, reforçando que “a restrição de fósforo é mais importante do que a restrição proteica tendo em consideração a manutenção da massa corporal magra”. Em primeiro lugar, conseguir que o gato aceite o alimento é muitas vezes desafiante, referindo uma série de opções terapêuticas.

A nutricionista veterinária Andrea Fascetti, da UCDA, EUA, abordou a controvérsia à volta da taurina e da carnitina. Estes “nutrientes fundamentais para os gatos” podem desempenhar outros papeis no organismo além dos inicialmente conhecidos, embora os mecanismos em causa na ocorrência da sua deficiência não sejam completamente compreendidos.

Por fim, Cailin Heinze da Tufts University, EUA, partilhou uma série de dicas para ajudar a manter a condição corporal e peso saudáveis em gatos, tais como: o enriquecimento ambiental, a disponibilização de pequenas refeições mais frequentes, obrigar os gatos a “trabalhar para conseguir” o seu alimento, são ações que ajudam a reduzir o risco de obesidade, que afeta 60% dos gatos nos EUA.

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