Caixa de areia: um território sagrado

Para percebermos a importância da caixa de areia é essencial perceber como é que o gato organiza o seu território.

Nós temos a nossa casa dividida em quartos, sala, cozinha e casas de banho. Os nossos gatos têm uma divisão parecida: há uma zona para descansar, outra para eliminar (urinar e defecar), outra para comer (caçar) e outra para brincar, estas zonas como a de comer e a de eliminar não se devem sobrepor.

Temos, erradamente, tendência a humanizar o comportamento dos nossos gatos quando o analisamos. É assim frequente ouvir nas consultas “O meu gato é tão asseado, vai sempre à caixa de areia” ou, pelo contrário, “Esqueci-me de limpar a caixa de areia e para se vingar o meu gato urinou fora!”.

Mas nenhuma destas ideias é correta. O gato urina na caixa de areia, sobretudo por uma questão de sobrevivência, quanto menos pistas deixar, mais dificilmente é descoberto por eventuais predadores. Este comportamento surge desde muito cedo e não necessita de ser aprendido, o que para nós é espetacular.

Seguindo a mesma lógica, o gato urina fora do local habitual, essencialmente quando precisa de dizer “este território é meu” e por isso precisa de o marcar! Nomeadamente em alturas de acasalamento, este comportamento é muito frequente e normal em gatos e gatas que não sejam esterilizados.

Os gatos seniores têm mais dificuldade em aceder à caixa de areia, facilite-lhes a vida adquirindo uma caixa larga e baixa

Mas existem muitas razões para além da marcação que levam o gato a urinar e/ou defecar fora da caixa. Razões relacionadas com a própria caixa (número insuficiente de caixas face ao número de gatos em casa, caixa demasiado pequena, o tipo de areia etc.) e problemas de saúde estão frequentemente associados a este comportamento que tanto perturba os tutores.

Respeite a natureza felina!
O gato adapta-se de um modo incrível às nossas vidas. Somos nós que escolhemos o local onde o gato vai eliminar, então no mínimo respeitemos as suas necessidades. Na prática isto significa que:
A caixa de areia deve estar longe do comedouro e do bebedouro (que por sua vez também devem estar afastados);
A caixa deve ser grande de modo a que o gato facilmente se movimente dentro dela;
– O tipo de areia deve ser agradável ao toque, como por exemplo as aglomerantes (sem perfume);
– A caixa deve estar sempre limpa, pois caso contrário já não serve para ocultar os odores;
– Ter sempre uma segunda caixa de areia (mais uma caixa que o número de gatos).

Fezes e/ou urina fora da caixa, não significa vingança, falta de asseio ou birra, é antes um SOS do seu gato. Um SOS que justifica uma ida ao médico veterinário. Nunca, mas nunca castigue o seu gato, não só não vai melhorar a situação como certamente vai piorar. A boa notícia é que com o devido acompanhamento estes casos têm bom prognóstico.

A próxima DICA será: Nascido para caçar.
Até lá, bons momentos felinos!

Por: Maria João Dinis da Fonseca
Artigo gentilmente cedido pelo Grupo Hospital do Gato