Já reparou se o seu cão ou gato se lambe demasiadas vezes? Fique atento, porque se tal estiver a acontecer pode ser um forte indício de que algo não está bem e há três grandes possíveis causas para o lamber excessivo.
Muitas vezes, essa é a forma que o animal tem para tentar aliviar um desconforto físico ou emocional que não pode, nem deve ser desvalorizado.
Se passa grande parte do tempo a lamber uma determinada zona do corpo, se interrompe constantemente outras atividades para o fazer ou se o comportamento parece difícil de parar, é importante investigar a causa porque pode indicar dor ou ansiedade.
É importante conhecer as possíveis causas desse comportamento, saber identificar os sinais de alerta e o que fazer para ajudar o seu animal.
Ver o seu cão ou gato a lamber-se faz parte do dia a dia. A lambedura é um comportamento natural que ajuda na higiene, no alívio de pequenas irritações e também na autorregulação emocional.
No entanto, quando este comportamento se torna frequente, intenso ou obsessivo, pode indicar que algo não está bem e merece a nossa especial atenção.
Há três grandes possíveis causas para o lamber excessivo.
Dor e desconforto físico
Os animais podem lamber repetidamente uma zona dolorosa do corpo como forma de aliviar o desconforto. Alguns motivos frequentes incluem:
– Dor articular associada à idade ou à osteoartrite;
– Lesões musculares ou traumáticas;
– Problemas nas patas ou nas unhas;
– Feridas e irritações cutâneas.
Problemas dermatológicos
As doenças da pele estão entre as causas mais comuns de lambedura excessiva. Entre elas destacam-se:
– Alergias ambientais ou alimentares;
– Picadas de pulgas ou outros parasitas;
– Infeções bacterianas ou fúngicas;
– Dermatites e inflamações da pele.
Ansiedade e stress
Tal como, por exemplo, algumas pessoas roem as unhas em situações de stress, os cães e os gatos podem recorrer à lambedura como mecanismo de autorregulação emocional. As razões podem ser diversas:
– Mudanças na rotina;
– Períodos prolongados de solidão:
– Falta de estímulo mental;
– Conflitos com outros animais;
– Alterações no ambiente familiar.
Sinais de alerta
Sinais de alerta para uma lambedura excessiva que justificam uma consulta médico-veterinária:
– Lambedura persistente da mesma zona do corpo, com possível queda de pelo localizada;
– Vermelhidão, feridas ou pele irritada após a lambedura;
– Humidade constante na região afetada;
– Alterações de comportamento, como inquietação, apatia ou nervosismo;
– Dificuldade em interromper o animal durante a lambedura.
Consequências do não tratamento
Quanto mais tempo o comportamento se mantiver, maior o risco de surgirem complicações.
A lambedura contínua pode provocar lesões na pele, infeções secundárias e transformar-se num comportamento compulsivo cada vez mais difícil de controlar. Além disso, tratar apenas a lesão visível sem identificar a causa subjacente pode atrasar o diagnóstico de problemas importantes, como dor crónica, alergias ou ansiedade.
Observe para agir
Lamber ocasionalmente é normal, mas fazê-lo até criar feridas não é. Neste sentido, o tutor deve observar a frequência, a intensidade e o contexto deste comportamento, já que isso pode ajudar a detetar problemas de saúde ou bem-estar antes que se agravem.
Se tal acontecer durante vários dias, procure aconselhamento médico-veterinário. Uma avaliação profissional permitirá identificar a origem do problema e definir a abordagem mais adequada, seja ela médica, dermatológica, comportamental ou uma combinação de várias estratégias.
Consulte um Veterinário
Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre as opções mais adequadas ao contexto do seu animal de estimação, tendo em conta aspetos como a raça, a idade, possíveis patologias, características específicas e o histórico clínico do animal.
Por: Mariana António, médica veterinária da ZU
Foto de destaque: Wei Wu | Pexels





