Um estudo finlandês, publicado pela revista Scientific Report, que analisou 5.726 gatos, de 19 raças, refere que existem características comportamentais, como o medo ou a timidez, que podem ter forte probabilidade no desenvolvimento de ansiedade, embora não se possa afirmar que estas características pressuponham um diagnóstico.
Entre as raças analisadas, o Ragdoll, o Maine Coon, o Turkish Van, o Azul Russo e o Angora foram as mais propícias a timidez perante estranhos e/ou objetos novos, ou a agressividade dirigida a pessoas e outros gatos.
Contudo, muita atenção, isto não significa que todos os gatos dessas raças tenham ou venham a desenvolver esses comportamentos.
Assim, perante os resultados do estudo, a interpretação mais rigorosa é que a ansiedade nos gatos pode ter uma componente hereditária indireta, uma vez que um gato pode nascer com maior tendência para a vigilância, timidez, reatividade ou medo, características reconhecidas por poderem vir a aumentar a vulnerabilidade ao stress.
Contudo, perante a falta de evidências científicas mais concretas, o mais correto é afirmar que o desenvolvimento de ansiedade resulta, sobretudo, da interação entre três diferentes fatores: a genética, o ambiente e as experiências.

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A influência do ambiente e das experiências
Mudanças de ambiente e rotinas, convivência com outros gatos, falta de esconderijos, ruídos fortes podem desencadear ou agravar sinais de ansiedade, mesmo num gato sem uma predisposição particularmente elevada.
Assim como a separação precoce da mãe, uma socialização insuficiente e experiências negativas durante a fase de desenvolvimento podem influenciar a forma como o gato reage a pessoas, animais e situações novas.

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Ajudas para reduzir ou eliminar a ansiedade nos gatos
Contudo, a boa notícia é que existem soluções que ajudam a reduzir ou eliminar a ansiedade nos gatos, e que podem ser implementadas com facilidade, entre as quais destacamos:
» Promoção de comportamentos assertivos por parte dos tutores, com rotinas previsíveis e constantes. Para um gato é importante ter horários fixos para alimentação e espaços próprios para a higiene, descanso e brincadeiras;
» Criação de um ambiente que respeite o espaço do gato e que seja seguro. Os gatos gostam de sentir que estão no controlo;
» Enriquecimento ambiental, não podemos confundir independência com sedentarismo. Os gatos são predadores por natureza, precisam de brinquedos interativos, arranhadores e estruturas verticais com esconderijos e novidades frequentes;
» Estimulação mental e física em interação com os donos. Podem ser sessões curtas, mas devem ser diárias, para ajudar a libertar energia e reduzir a tensão;
» Disponibilização no ambiente que os rodeia de soluções calmantes, em difusores ou sprays, de preferência naturais, à base de óleos essenciais como valeriana, vetivera, sálvia e manjericão, que atuam suavemente sobre o sistema nervoso, ajudando a eliminar o stress, a ansiedade e o medo, e ajudam a acalmar de forma natural, sem sedar.
Segurança, previsibilidade e estimulação
Se tem um gato ou se está a pensar juntar um à sua família, lembre-se das palavras segurança, previsibilidade e estimulação como a base para uma convivência tranquila e feliz.
Não existe soluções únicas ou milagrosas e mesmo dois gatos que partilham o mesmo espaço podem ter necessidades e reações diferentes. O mais importante é conhecer o seu ou os seus animais e combinar várias estratégias de forma preventiva e consistente e nunca repentina.
Por: Teresa Rousseau, médica veterinária e consultora Pet Remedy
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